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One Shot - Sleeping In Your Arms

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One Shot - Sleeping In Your Arms

Mensagem  duarte- em Seg Ago 01, 2011 3:25 pm

Sleeping In Your Arms


Aviso: Esta One-Shot contém também drama, além do terror. Obrigado a todos os que a vão ler. (:

Sinopse: Liz é uma dona-de-casa de quarenta anos, recuperada de uma leve depressão e do cansaço da vida, depois de ter conhecido o seu marido e a sua pequena filha ter vindo ao mundo. Mas Liz esconde um segredo, uma estranha e bizarra relação. Mas, quando um acontecimento ameaça ruir com a felicidade de alguém, para que lado se deve essa pessoa virar?

Nota do Autor:
Caros leitores (se é que vos posso chamar já assim), esta one-shot é apenas um pré-avanço no futuro da personagem principal de uma das minhas Fic's. Coloquei-a aqui para sondar a vossa opinião e o vosso interesse no assunto da história. Irão descobrir ao ler a história, que Liz é uma pessoa normal, conduzida apenas pelo rumo da vida para um caminho diferente, para uma estranha volta ao passado, o regresso a uma bizarra relação numa velha casa. Espero que gostem, pois foi escrita, não pelas minhas mãos, mas pelo meu coração. Se gostarem e assim desejarem, começarei a postar a história completa, que retrata o modo como Liz conheceu aquele que viria a acompanhá-la de uma estranha forma para a sua vida inteira. Quando comentarem esta one-shot, gostaria que ficasse explicito no vosso comentário se querem que a história venha á luz do dia. Desde já, muito obrigado!


________________________________________


O céu estava cinzento, encoberto em várias partes por nuvens negras. Um raio desceu dos céus até uma antena parabólica. A cidade de Nova Iorque parecia saída de uma das bandas desenhadas onde tantas vezes foi retratada. Enormes apartamentos cinzentos, com cortas compridas, carregadas pelo peso de roupa de cor opaca. Antenas em cada telhado. Pessoas passeando pelos passeios em passo apressado. Um molho de chaves caindo ao chão. Folhas de jornal volteando no ar, com o vento cortante que se fazia sentir. Pés barulhentos descendo e subindo as escadas da entrada do metro. Um sobretudo preto voava, revelando um telemóvel negro preso a um suporte acinzentado. O ruído repentino e agudo da chegada do metro percorreu em ondas toda a cidade.
O familiar trim-trim de um telefone ecoou num bloco de apartamentos igual a tantos outros. Uma camisola laranja voou de uma das cordas da roupa da mesma casa.
Liz Eedles levantou repentinamente a cabeça encimada por um bosque desgrenhado de cabelos castanhos da almofada vermelha do sofá. O telefone já deveria ter tocado pelo menos quatro vezes. Mais duas e desligariam. Liz apeou-se do sofá, lançando o cobertor velho que a cobria para longe de si, como se assim também afastasse o sono e a opacidade do seu olhar. Agarrou o roupão axadrezado, calçou os chinelos duros e caminhou num passo rápido até ao telefone no hall de entrada.
Levantou o auscultador e esperou. Ouviu um respirar acelerado e, segundos depois, uma voz rouca falou. Parecera a Liz que ouvira alguém chorar do outro lado da linha, provavelmente a pessoa que estava agora a falar.
- Alô? – Liz falou rapidamente. Desejava desvendar aquele mistério o mais rápido possível. O sono ainda não a deixara completamente.
- Liz? Liz? É o Jonathan.
- Oh… olá querido. Desculpa, acordei mesmo agora. Não estava a reconhecer a tua voz. – Liz mentiu, pelo menos em parte. No estado em que Jonathan estava, provavelmente nem a sua própria mãe reconheceria a sua voz.
- Oh Liz…
- Passa-se alguma coisa, querido? Jonathan?
Agora o coração de Liz começara a bater velozmente, como se fosse um vidente e soubesse ler o futuro. Talvez todos os corações o fossem de facto. Na mente de Liz começaram a correr vários episódios trágicos. A morte do seu pai, doente de cancro, na sua poltrona com um padrão castanho, suja de cinza de cigarros e charutos. A morte da sua mãe, sobre a qual Liz chorara imensamente. Chorara mais naquele dia do que provavelmente chorara a sua vida inteira. Mas, naquele momento, apenas via a pequenina face de Tammy. O pequenino rosto moreno de Tammy, com o cabelo ruivo de Jonathan e os olhos fugazes de Liz. Amava a filha e faria tudo por ela, inclusive largar-se sobre um vulcão activo se assim tivesse de ser. Liz correria este mundo e outro por Tammy.
Obrigou-se a entregar de novo a sua atenção ao marido. Fazendo os possíveis para ele não escutasse pelo telefone, deu dois estalos a si própria para manter a calma.
- É a Tammy. À entrada da escola, Liz. Era uma carrinha vermelha. Suja. A Tammy, Liz… a Tammy… - E, do outro lado da linha, Jonathan rebentou em lágrimas sonoras.
Liz desligou. Estava em estado de choque. Por minutos não se mexeu. Quando finalmente conseguiu recuperar o controlo de si mesma, pareceu-lhe que estivera ali no hall, envolta no seu roupão de xadrez e calçada com uns chinelos de sola de pedra, por várias e infinitas horas. Com um clique na consciência, correu para o quarto, vestiu umas calças de ganga e uma camisola de lã cinzenta e, no quarto de banho, lavou a cara rapidamente. Vestiu o casaco e agarrou a mala e bateu a porta de casa com tal fúria, que deixou a televisão ligada. Uma série sobre um casal disfuncional passava no primeiro canal; Liz não sabia como aquela televisão estava a ser profética.

Depois de ter falado com Jonathan, Liz enfiou-se no seu jipe, pronta para conduzir pela cidade eternamente. Não tinha um destino fixo na sua mente. Não tinha um destino nem um futuro fixos. Não tinha mais nada na vida. Naquele momento, nem sequer Jonathan. Ninguém figurava na sua mente, além da pequenina figura de Tammy, estendida numa maca com um lençol de diminutas dimensões sobre o seu pequenino corpinho de criança. Naquele momento, estava sozinha no Universo inteiro. As estrelas tinham morrido.
Engatou uma mudança e a velocidade do veículo aumentou consideravelmente. Andou pela cidade de Nova Iorque, perdida dentro de si mesma, por várias horas. Finalmente, quando uma tabuleta lhe fez uma indicação e lhe ofereceu um sorriso, Liz percebeu que estava louca. E, quando estava louca, só existia um lugar que a poderia acalmar. Duvidava que aquele mágico e tão trágico lugar ainda existisse, mas, mesmo assim, teria de tentar.
Lançou-se na auto-estrada até chegar à pequena vila de Hurley, evitando automóveis com manobras loucas que nunca teria cometido se o seu estado normal não tivesse sido enjaulado e trancado pelo seu estado de loucura actual.
Duas horas depois, virou para um pequeno desvio de terra batida. Passou por uma carrinha já bastante velha e o condutor – um homem de idade e barbas brancas vestido com uma camisa às listras vermelhas – ficou a fitá-la durante alguns minutos, até fazer uma viragem maluca. Liz duvidava que fosse a única que estava louca.
A pequena vila de Hurley ainda estava igual. Passados dez anos, a vila mantinha-se igual. Os edifícios haviam envelhecido e as árvores tinham-se tornado de um castanho mais escuro, mas de resto tudo estava igual. O mesmo bosque onde qualquer se poderia perder se não o conhecesse como a palma da mão e a mesma padaria do Sr. Herbert, que vendia o tão famoso Bolo Caramelizado de Herbert.
Liz continuou a conduzir ainda durante um bocado, observando cada detalhe da cidade que a vira nascer. Finalmente, estacionou entre um carro cinzento e um outro jipe vermelho e, trancando as portas, saiu do carro em direcção a uma velha casa.
Era mais uma mansão de facto. Três andares e uma abóbada cristalina lá no alto, que ficava cada vez mais turva com a água da chuva que teimava em cair. Portadas velhas em cada janela. As portas estavam velhas e ensopadas e a madeira de algumas já lascara ou ruíra. Vidros estavam partidos e jornais imensamente antigos estavam caídos no chão ou entre arbustos envelhecidos e acastanhados. Uma enorme árvore figurava do lado esquerdo, com os ramos pesados a caírem em direcção ao chão. As folhas pareciam fazer parte da chuva, caindo repentinamente da árvore e assentando no chão ou desfazendo-se pela força das gordas gotas de água.
Um arrepio de frio percorreu a espinha de Liz. Estava ali a observar a casa há vários minutos, sob um tapete de chuva que cobria toda aquela zona. A camisola de lã e as calças de ganga estavam de tal maneira agarradas à sua pele que Liz teve de fazer um esforço tremendo para conseguir separar as pernas e dar alguns passos, até se encontrar debaixo do alpendre da casa, sob um parco telhado pintado de preto com acabamentos de cor bege andrajosa.
Dizia-se que aquela casa estava assombrada por várias gerações da família que ali vivera. Uns diziam que ali vivia uma senhora de idade, que se passeava eternamente pelos corredores com o seu vestido avermelhado e branco, muitas vezes confundindo-se com a parede de tal maneira ser magra. Outros – um grupo de velhotes assíduos que se reuniam no “Asa de Corvo”, o único café da vila, fumando muito e bebendo copos de uísque na mesma quantidade – afirmavam que era um homem alto e imponente que vigiava a casa, sempre segurando uma arma de cano longo com uma tira de prata a envolvê-la. Um deles jurava a pés juntos ter conversado com ele. Liz duvidava daquele relato tão precário, principalmente se considerarmos o facto de o velho considerado o habitante mais velho e mais bêbedo da pequena e redonda vila de Hurley. E, as solteironas da vila – que tinham também os seus hábitos (tal como os velhotes) e faziam várias reuniões, variando de casa para casa, para tricotarem, fumarem e soltarem as línguas pontiagudas que possuíam – afirmavam que estavam todos errados quando falavam das assombrações. Era um jovem rapaz, com uma longa cabeleira preta – quase tocava o traseiro arranjadinho dele, segundo as solteironas – e uns olhos verdes que podiam representar um anjo ou o demónio, conforme a hora que os víssemos, que afinal assombrava a casa. E não era bem assombrar. Era apenas um viajante. Ia e vinha, visitando a casa que fora sua durante tanto tempo. Protegia-a das catástrofes e da destruição que os homens lhe poderiam causar. Só permitia que a própria natureza a fosse levando, tábua a tábua. Contava-se que, há muitos e muitos anos atrás, um furacão correra Hurley e aquela casa tão séria fora a única a manter-se inteiramente em pé. Liz não sabia em quem devia acreditar, mas, se tivesse de escolher um relato decerto escolheria o lado das solteironas.
Retirou a mão do bolso molhado das calças azuis de ganga e, com os dedos gélidos e pálidos, tocou a porta; esta arrastou-se lentamente, cantando num tom agudo, como se libertasse uma canção de boas-vindas a Liz. De facto, se conseguíssemos escutar bem, talvez aquele chiar agudo se parecesse tanto com o som das teclas de um piano de cauda que ficaríamos abismados.
Liz entrou, mantendo-se à entrada, olhando a casa que estava tão vazia como o estava o seu coração agora. Um hall tão enorme e tão vazio. Um coração tão enorme e com tanto amor para dar e tão vazio.
Penso que não foi revelada a razão pela qual Liz escolheria o relato das solteironas, se tivesse de eleger um para ser o mais credível. Talvez fosse pelo simples facto de Liz já ter adormecido nos braços desse jovem rapaz, elegante e esbelto, de porte direito e longos cabelos castanhos. O coração de Liz apertou-se e os seus lábios vermelhos e molhados abriram-se, como se o vento a beijasse de forma tão suave.
- Nick, estás cá, meu querido?

duarte-
Cheguei!

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